terça-feira, agosto 22, 2017
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Brasil Urgente: primeiros sinais de colapso do novo governo

Contra fatos não há argumentos, diz antigo provérbio. Aplicado ao atual governo brasileiro é uma verdadeira sentença de morte. A quantidade de fatos revelados nos últimos dias demonstra claro enfraquecimento das bases materiais de governabilidade do regime. Desmentem duvidosos argumentos dos seus economistas de que as coisas estão a melhorar.

A propagandeada retomada da confiança dos capitalistas sofreu repentino arrefecimento com novos fatos. Aumentaram as suspeitas de que o governo Temer não é a repetição do exitoso (para seus interesses, claro) governo Itamar, aquele que sucedeu Fernando Collor e implantou o plano Real em 1994. Como esperavam realisticamente desde o início as pessoas bem informadas o que se revela é que o governo Temer é um governo Dilma piorado. Os fatos comprovam essa realidade.

Começando pela sua base material. Um fato econômico de primeira grandeza foi divulgado nesta manhã de quinta-feira (20): o Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br) registra recuo de 0.91% em agosto/2016. Importante: foi a maior redução mensal desde maio/2015 (1,02%). Em doze meses até agosto, o indicador registrou contração de 5,6%. É muita coisa.

Quer dizer, o nível de atividade da economia brasileira não só continuou no terreno negativo como intensificou o ritmo de queda em Agosto. Ao invés de ir para frente, a economia continua a andar de ré. Em 2016, o IBC-Br caiu em quase todos os meses, com exceção de abril (+0.18%) e junho (+0,27%$). É quase uma catastrófica depressão. É o que diz os cálculos do BACEN.

O IBC-Br é um indicador que procura antecipar a tendência do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), que é calculado pelo IBGE. É um indicador mais rigoroso que o PIB, em termos teóricos, pois, ao contrário do que acontece no cálculo deste último, o IBC-Br foca nas variáveis mais relevantes da economia real – incorporando as estimativas da agropecuária, indústria e serviços, além de impostos.

Mesmo sabendo deste indicador “antecedente” do PIB, os integrantes do Comitê de Política Monetária do BACEN decidiram na reunião de quarta-feira (19) reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 14,25% para 14,0% ao ano. Foi a primeiro corte da taxa em quatro anos. Comemoraram o fato como a conquista de um título mundial. Entretanto, a Selic é a maior taxa básica em todas as economias mais importantes do mundo. Para a equipe econômica de Temer isso não tem a menor importância.

Mesmo com a economia real afundando, como indica o próprio IBC-br, os senhores da pátria financeira reduzem apenas milimétricamente a sua indecente taxa de juros. Não estão nem um pouco preocupados que a sua manutenção nestes níveis absurdos e, diga-se de passagem, totalmente desnecessária para a estabilização econômica. Ao contrário, não só aumenta a depressão econômica, como vimos pelos números do IBC-Br, como também arrebenta com as contas públicas. Quase a metade das receitas do orçamento da União é destinada ao pagamento das despesas com a dívida pública nacional.

 É muito difícil encontrar no mercado mundial uma burguesia tão irresponsável e atrasada como a brasileira. A política monetária parasitária e suicida é apenas um exemplo de irresponsabilidade da burguesia que acaba gerando a tendência econômica real da ingovernabilidade política do atual governo. Mas não é só isso. Existem outros fatos ainda mais importantes que estão a indicar a tendência de fulminante colapso econômico. A partir da ideia equivocada dos economistas sobre taxa de juros e inflação e com os dados dos preços e da produção industrial brasileira a serem divulgado nos próximos dias, aprofundaremos um pouco mais essas observações acerca da situação econômica brasileira.

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