sábado, abril 20, 2019
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Forte queda de pressão nas grandes economias (incluindo Brasil)

por Fernando Grossman e José Martins, da redação.

Como está a saúde da economia capitalista global e das suas principais economias nacionais neste início de ano? Fortemente ameaçada. Quem dá a boa notícia é a OCDE em seu mais recente relatório mensal sobre os Indicadores Compostos Avançados (CLI, em inglês), divulgado nesta segunda-feira (14).

Lembrando que os CLIS são calculados para antecipar os possíveis pontos de inversão para cima ou para baixo da atividade econômica mundial com relação à sua tendência nos próximos seis a nove meses.

Medem a pressão arterial do sistema. E o que esse barômetro que indica a pressão atmosférica, a altitude e prováveis mudanças do tempo da economia está indicando é que a pressão do paciente está caindo fortemente. O espectro de uma bela crise econômica se antecipa nos registros da OCDE.

Continuam pelo segundo mês seguido a indicar uma desaceleração do crescimento na maioria das grandes economias mundiais. Começando pelas duas maiores economias do mundo, Estados Unidos e Alemanha – os sinais de desaceleração do crescimento mencionado no relatório anterior (Dez 2018) se repetem no relatório divulgado na data de hoje.

Esse registro confirma as últimas informações de que a produção industrial alemã caiu inesperadamente em novembro, colocando a maior economia da Europa em risco de já ter caído em uma recessão técnica (três meses seguidos de queda) no final de 2018.

A queda de 1,9 por cento seguiu uma queda de 0,8 por cento em outubro e amplia uma série de números da economia reguladora da zona do euro que preocupam os capitalistas. A manchete da Bloomberg News não deixa dúvidas sobre isso.

A causa é o recrudescimento das pressões deflacionárias na sólida economia alemã. Nos seus preços e lucros. Como não se consegue mais vender com os mesmos preços de antes isso aparece para a ingênua interpretação da economia vulgar como um singelo problema de demanda para o produto. Os economistas da superficialidade serão sempre atropelados pela materialidade do processo de valorização do capital.

O declínio na sólida e quase invencível produção industrial alemã de novembro foi amplo e liderado pelos ramos produtores dos estratégicos bens de consumo duráveis (- 4,1%) e energia (- 3,1%). A produção industrial como um todo caiu 4,7% em relação ao ano anterior, a maior desde 2009.

E vem mais chumbo grosso pela frente. Não por acaso, portanto, o relatório da OCDE desta segunda-feira continua também a antecipar a inversão para baixo do crescimento na Inglaterra e no conjunto da zona do euro, particularmente na França e Itália.

Estas outras três grandes economias (além da Alemanha) é onde se situam atualmente as pressões políticas (ingovernabilidade) mais intensas na zona do euro. Acompanhe nesta perspectiva os problemas do Brexit de  Mrs Teresa May e dos gilets jaunes (“coletes amarelos”) de Messieur Macron.

O Japão é a única grande economia dominante que, segundo o relatório da OCDE, ainda continua antecipando um crescimento estável. Logo, logo, também vai entrar na dança. Rússia e China darão o ritmo geopolítico da crise japonesa. A Rússia já começou nesta semana ao ressuscitar  a velha disputa pelas ilhas Curilas.

A produção industrial dos Estados Unidos merece uma observação especial. Os dados do último trimestre de 2018 a serem divulgados nesta semana pelo Federal Reserve (Fed) facilitarão essa tarefa.

A produção de valor e de mais-valia na economia de ponta do sistema é o fator chave que regula a evolução do mercado mundial. E que dará a palavra final para a data da maior explosão cíclica dos últimos setenta anos.

O relatório da OCDE destaca finalmente que as economias dominadas dos sistema capitalista global também continuam a apresentar sinais de desaceleração do crescimento. Só a Índia ainda mantem o crachá de crescimento estável. Provisoriamente – os conflitos sociais e as maiores greves gerais das últimas décadas se avolumam no paraíso sonhado pelo grande pelego Mahatma Gandhi.

China, Brasil e Rússia continuam a indicar a desaceleração do crescimento, seguindo passivamente o ritmo das economias dominantes. Em especial a China, onde os lucros industriais desaceleraram seguidamente em todos os meses de 2018 para, finalmente, caírem em Novembro (último dado disponível) pela primeira vez nos últimos três anos.

Os lucros da produção industrial do antigo “chão de fábrica do mundo” caíram 1,8% em novembro em relação ao mesmo período do ano anterior, a primeira leitura negativa desde dezembro de 2015 e uma queda acentuada de 3,6 por cento em relação a outubro – o banco Goldman Sachs estima que os lucros caíram ainda mais em termos dessazonalizados, queda em torno de 7,2% frente a outubro.

Frente a estes dados o governo chinês anunciaram novas medidas monetárias e fiscais de estímulo. Não vão funcionar. Do mesmo modo que na Alemanha, mas com particularidades e efeitos diferente de uma economia onde predomina a mais-valia absoluta, a causa desta crise na China não é um enfraquecimento da demanda por um produto, por uma massa de simples mercadorias (bens de consumo ou de investimento) – mas da demanda por determinado preço de produção regulador de mercado e a correspondente taxa média de lucro.

Fato incontornável: a fiel burocracia keynesiana (e socialista de mercado) que nos perdoe, mas quando esses preços de produção sofrem o recrudescimento da pressão deflacionária no processo de valorização do capital, na produção de mercadoria-capital, qualquer medida fiscal ou monetária torna-se absolutamente insuficiente e inócua para evitar a derrocada do sistema.

Que a terra lhes seja leve!

 

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