domingo, novembro 19, 2017
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Boletim da Crítica

A urbanização do campo dos países dominados do sistema imperialista torna-os imediatamente grandes importadores de insumos agrícolas para a reprodução das pessoas e a criação de animais. Mesmo os grandes exportadores da periferia – como Brasil e outros orgulhosos paraísos do agro tech e do agro pop – são incapazes de produzir produtos agrícolas suficientes par alimentar sua população cada vez mais miserável e sua indústria de terceira categoria.

Grandes mudanças no funcionamento do comércio internacional de produtos agrícolas. Na superfície do processo se enxerga logo de cara uma rápida mudança na classificação dos maiores produtores e exportadores. Quem é quem na nova ordem agrícola mundial? Sem criar expectativas agro-nacionalistas infundadas, a melhor pergunta é: o que mudou realmente na ordem agrícola mundial?
Tradicionalmente, os Estados Unidos sempre foram disparadamente os líderes das exportações agrícolas mundiais. Principalmente de dois cereais básicos – trigo e milho. O outro alimento de base mundial, o arroz, é monopolizado pela área asiática. Smith já tinha feito essa distinção: trigo na Europa, arroz na Ásia.
Nos últimos quinze anos as exportações estadunidenses das chamadas commodities agrícolas continuaram aumentando. E muito. Permitiram que suas empresas ficassem mais lucrativas. E seus fazendeiros muito mais ricos. Mas, no mesmo período, a sua dominância como o maior exportador agrícola internacional foi rapidamente corroída.
O fenômeno vai além da esfera comercial. Acontece que no regime capitalista não existe monopólio permanente, como em regimes mais antigos. Na gênese desse corrosivo processo de quebra da antiga estrutura de concorrência do mercado internacional de commodities agrícolas encontram-se a globalização do exército industrial de reserva e a quebra do monopólio da produção agrícola norte-americana.
A globalização da produção agrícola (antes que a variação da demanda internacional pelas suas commodities) está na base desta corrosão do monopólio norte-americano. Globalização financeira e generalização da técnica superior. Esses dois fatores básicos permitiram a outros países com extensos territórios de terras agriculturáveis a possibilidade de importar e absorver com muita rapidez aquela técnica superior da produção agrícola dos EUA.
Abriu-se a caixa de Pandora. Os antigos enclaves agroexportadores permanecem, mas agora adaptados às novas necessidades das empresas e rentistas internacionais. Capitalistas de todas as partes, principalmente do próprio EUA, puderam se instalar nesses países de grandes territórios agriculturáveis no leste da Europa, Ásia e América do Sul.
As facilidades políticas e jurídicas altamente liberalizantes e desregulamentadas pela imposição do poder imperialista dessas empresas globais abrem as portas destes Estados mequetrefes da periferia facilitando deslocamento de massas de investimento externo direto (IED) para a expansão da agroindústria em novos, enormes e baratos enclaves agroexportadores. São empresas multinacionais, investidores externos e grandes fundos de investimentos globais que adquirem livremente grandes propriedades fundiárias.
Mas esses capitalistas estrangeiros estão menos interessados na terra natural e muito mais na terra-capital. Controlam rigidamente o comércio e o escoamento do produto: financiam os estoques, controlam os preços, comercializam a safra e comandam as burguesias nativas dos enclaves do agronegócio na exploração de áreas intermináveis de terras.
Eles ficam com a maior parte do lucro do negócio e as burguesias nativas com alguns trocados e parte da renda fundiária. O capital imperialista eleva assim a produção mundial de commodities agrícolas e amplia as perspectivas de comércio externo. O Brasil e a Índia são os países receptadores deste capital global que ilustram melhor esse processo. Vejam os números abaixo….
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