quarta-feira, setembro 19, 2018
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OCDE alerta: fortes sinais de desaceleração da economia mundial

A OCDE acaba de divulgar nesta quarta-feira (08) seu conhecido relatório mensal Composite leading indicators (CLIs) , de indicadores compostos concebidos para detectar os pontos de reversão da atual tendência de expansão da economia mundial nos próximos seis a nove meses.

Os leitores da Crítica já estão muito familiarizados com este relatório e sabem da sua utilidade para a observação (e antecipação) da aproximação do novo ponto de ruptura da economia mundial no desenvolvimento do seu ciclo periódico de superprodução.

“Sinais de desaceleração do crescimento na área da OCDE”. Desde o título do relatório deste mês são apresentados muitos sinais de desaceleração no conjunto da economia mundial. Trata-se de ler corretamente a radiografia apresentada.

Os indicadores da OCDE sinalizam desaceleração do crescimento no Canadá, nas maiores economias da zona do euro, em particular na Alemanha, França, Itália, assim como, de maneira mais acentuada, na Inglaterra.

Das grandes economias dominantes, só Estados Unidos e Japão antecipam um crescimento estável para os próximos trimestres.

No que se refere às economias dominadas da periferia, antecipa-se uma consolidação dos crescimento da Índia e do setor industrial chinês. No Brasil e Rússia, os indicadores sinalizam desaceleração do crescimento na totalidade de suas economias.

É observado no relatório que a série de referência para a China é o valor agregado da indústria. Não é considerado, portanto, outras variáveis de comércio exterior, sistema financeiro, mercado de capitais, etc.

Com os números apresentados na tabela 1, página 4 do relatório, pode-se fazer uma leitura mais precisa de cada uma das grandes áreas geoeconômicas e respectivas economias listadas pela OCDE.

No mês de maio passado a economia da Zona da OCDE (e, portanto mundial, em termos práticos e analíticos) caiu pela primeira vez abaixo da linha de tendência do ciclo econômico.

A Zona do Euro e do G7 (sete maiores economias do mundo) deslizaram ao mesmo tempo para baixo da linha de tendência, pela primeira vez, no mês de junho/2018.

Dentre essas grandes economias dominantes, as que apresentam sinais mais claros de enfraquecimento e possibilidade de ruptura nos próximos trimestres são, pela ordem, Alemanha e Inglaterra. Devem ser acompanhadas ou focadas com mais precisão nos próximos meses. Podem protagonizar a explosão da área europeia como um todo no próximo choque cíclico.

O G5 Ásia – China, Índia, Indonésia, Japão e Coreia do Sul – voltou a emergir acima da tendência, o que indica ímpeto de crescimento, devido principalmente ao fortíssimo ritmo na Índia, que apresenta variação anual de 2,33% no último mês.

A Índia, nova estrela do imperialismo, apresenta, dentre todas as economias listadas no relatório, a maior continuidade de elevação da tendência de crescimento (101.4 pontos).

A China ainda se encontra abaixo da linha de tendência (99.8 pontos), o que reflete a tendência de estagnação apresentada pelas variações mensais neste ano, sempre abaixo dos 100 pontos da linha de tendência.

A Rússia e o Brasil, devido à rápida deterioração da tendência nos últimos meses,  seriam os dois grandes candidatos a protagonizar as primeiras explosões dos BRICS no próximo choque, possivelmente antes da China.

Está se levando em conta aqui apenas essas tendências destacadas no relatório da OCDE. Mas esse protagonismo depende de outros decisivos acontecimentos nos próximos trimestres.

Por exemplo, apenas para lembrar o mais importante, os conflitos de tarifas protecionistas no comércio entre China e EUA. As pressões de Washington e da mídia imperialista sobre Pequim estão aumentando, nesta semana, a níveis insustentáveis. Devemos escrever imediatamente um boletim a respeito.

Se levar em conta esse e outros fatores geopolíticos em curso, exógenos ao processo produtivo propriamente dito, a China pode ser escalada com todos os méritos para acender o pavio da bomba no lado das economias dominadas.

Uma observação final sobre esses números apresentados nesta quarta-feira pela OCDE. Os EUA são quem está claramente comandando, chefiando a expansão atual da totalidade da economia mundial. Índices ainda elevados de produção industriais e de lucros operacionais (antes de impostos e outros encargos). Isso se reflete no carimbo “dinâmica de crescimento estável” conferido aos EUA neste relatório da OCDE.

Só eunucos economistas da academia e da ideologia keynesiana-marxista da regulação estatal  podem falar impunimente de “longa depressão” nos EUA. É muito fácil verificar os números que demonstram que a  taxa de lucro médio da indústria estadunidense ainda está lá em cima. Ainda. Não são só as ações negociadas nas bolsas de valores e o capital fictício em geral que estão bombando mais do que nunca. Ainda.

Neste movimento, as claudicantes economias apontadas acima, da Alemanha à China, passando por Inglaterra, Rússia, Japão, etc., ainda se mantêm a tona pelo empuxo gerado nos EUA.

O mais importante de tudo isso, entretanto, é que a economia estadunidense é também quem regula, off course, o relógio do atual business cycle. E neste sentido pode-se verificar nos números da OCDE que os EUA apresentam uma clara e rápida desaceleração dos seus índices de variação mensal.

Desde o mês de abril/2018 esses índices passaram a ser negativos e, desde maio/2018, os EUA se encontram exatamente alinhados nos100 pontos da linha de tendência do ciclo. Pode-se iniciar imediatamente uma queda. Não faltam elementos reais, além dos números da OCDE, para que isso ocorra

A torcida, que neste caso, infelizmente, não vale absolutamente nada, é que no próximo mês, dentro de trinta dias, na próxima medição da OCDE, esses benditos indicadores compostos avançados sinalizem que a economia reguladora do relógio da próxima explosão universal passou pela primeira vez para a parte de baixo da tendência.

Seria uma bela notícia – pelo menos para quem procura quotidianamente sinais materiais capazes de antecipar o fim da paz dos cemitérios deste longo período expansivo do capital global – que o cristal desta poderosa e sólida economia reguladora do sistema global estaria apresentando seus primeiros trincamentos de uma grande e altamente criativa catástrofe econômica. Aleluia, Marx e todos os santos guerreiros do universo!

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