terça-feira, agosto 22, 2017
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Onde os salários caíram mais no mundo nos anos recentes? Acertou quem pensou no Brasil.

Os capitalistas brasileiros e seus patrões imperialistas têm pelo menos uma ideia muito clara sobre como sair da grande crise econômica nacional que eles mesmos criaram: arrochar os salários dos trabalhadores. Aumentar a já insuportável miséria que assola os trabalhadores Mais do que uma ideia, uma sangria em plena execução.

Essa sangria pode ser comprovada nos dados apresentados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em seu relatório Global Wage Report 2016/17 divulgado na última sexta-feira (16), sobre a variação dos salários no mundo. O relatório da agência da ONU mostra que os salários mundiais sofreram o pior índice de reajuste dos últimos quatro anos em 2015.

A desaceleração do reajuste salarial no mundo passou de 2,5%, no geral, em 2012 para 1,7% no ano passado, relata a OIT. Desde o início da recuperação cíclica global, iniciada no 3º trimestre de 2009, os salários nas economias dominantes (EUA e Alemanha, principalmente), do mesmo modo que na China, mostraram tendência de aceleração no crescimento, enquanto nas economias dominadas (“emergentes”) a tendência foi de desaceleração e, algumas delas, tornou-se negativa.

Na Europa do leste os salários reais caíram significativamente em 2015, na sequência da desaceleração registrada entre 2013-2014. Essa queda se deve em grande medida à queda dos salários reais na Rússia e na Ucrânia, pais devastado pela guerra civil. Na Ásia Ocidental e Central, depois de forte recuperação da crise em 2010 e 2011, o crescimento dos salários apresentou gradual desaceleração. No leste da Ásia e Pacífico, surpreendentemente, a média dos salários apresentou pequena aceleração em 2015, a despeito de modesta desaceleração no crescimento dos salários chineses.

Na America Latina e Caribe, finalmente, o crescimento médio real dos salários declinou em 2013 e tornou-se negativo em 2014 (-0,2%) e 2015 (- 1,3%). Foi a única região do mundo, junto com a Europa do Leste, que apresentou variação negativa dos salérios reais em plena fase de expansão da crescimento global, Mesmo a África apresentou crescimento real dos salários em 2015. A tendência negativa da região foi conduzida pelo Brasil e México. No Brasil, segundo o relatório, os salários reais caíram pesadamente em 2014 e 2015. Queda de 3,7% em 2015. A terceira pior marca no mundo.

Em entrevista ao portal ONU News, o diretor d OIT em Nova York, Vinício Pinheiro, alerta que os salários mundiais tiveram o pior crescimento em 2015. Sobre a situação do Brasil, em particular, ele declara que “O Brasil tem um dos piores indicadores dos países analisados, que é inferior somente aos que aconteceu na Ucrânia (-20,2%) e Rússia (-9,5%). Esse é um dos piores resultados históricos do Brasil em relação à evolução salarial”.

É inerente ao regime capitalista o criminoso aumento da exploração e da miséria da classe operária mundial. Mas existem algumas burguesias nacionais que ajudam mais do que outras a aumentar essa taxa de pauperização da massa assalariada. Como vimos nos números acima, entre seus pares das demais nações a protoburguesia brasileira se destaca com muita desenvoltura nesta criminosa tarefa global.

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