domingo, setembro 24, 2017
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Produtividade na economia dos EUA registra primeiro declínio anual desde 1981

Os radares da Crítica detectam neste momento fortes indícios de que os próximos três meses serão decisivos para o atual período de expansão da economia mundial. Sinais preocupantes de que a pressão atmosférica está mais pesada do que o permitido para a navegação do capital nas altas altitudes atuais.

A produtividade anual média dos trabalhadores na economia dos Estados Unidos apresentou no ano de 2016 a primeira taxa negativa desde 1982. Isso é relatado no último Productivity and Costs do Departamento do Trabalho dos EUA, onde é feita uma rigorosa revisão de dados anteriormente publicados.

Estão informando com todas as letras aos seus patrões capitalistas: “O crescimento anual médio no setor de empresas não agrícolas em 2016 foi revisado para baixo com um decréscimo de 0.1 por cento. De acordo com esta revisão, o decréscimo na produtividade em 2016 é o primeiro decréscimo anual desde o decréscimo de 1.0 por cento em 1981.”

Bingo. Quando os capitalistas não conseguem mais manter um ritmo de exploração da força de trabalho (produtividade) adequado às necessidades de uma superprodução cíclica do capital começa a falsear o bombeamento de sangue da classe operária que mantem o funcionamento nem um pouco natural do sistema de reprodução ampliada do capital.

Quando isso acontece o sistema circulatório do capital já não é mais capaz de levar oxigênio a partes vitais do seu organismo. Processo letal de necrosamento.

A queda da produtividade do trabalho, anunciada nos dados revisados do relatório do Bureau of Labor Statistics, é o sinal anunciador principal de que mais um período cíclico de expansão e reprodução ampliada (acumulação) do capital está a eclipsar.

No começo de Setembro serão publicados os números de outras estratégicas variáveis internas de funcionamento do capital (preços, produção, taxa de lucro, etc.). Faremos então uma análise conjunta e a mais precisa possível de tudo isso.

Aperte os cintos e retorne a poltrona para a posição vertical. Os sintomas da crise aparecem primeiro na superfície do mercado. Como algo mais ou menos misterioso. Preocupação dos homens do mercado, nesta semana, com as quedas de preços das principais ações negociadas em Wall Street. E com a despressurização na cabine da gigantesca espaçonave, quer dizer, com a deflação dos preços na economia real.

A NBC escreve antes do início da seção de negócios desta segunda-feira (21): “Wall Street observa atentamente se as perdas de agosto vão continuar” As ações tecnológicas da Nasdaq – Microsoft, Amazon, Google, Facebook, Oracle, etc. – depois de alcançarem seu recorde em todos os tempos em 26 de Julho (6.422 pontos), não pararam de cair nas semanas seguintes.

Desvalorização de quase 4% nas últimas quatro semanas. Isso acende a luz amarela para o mercado. As ações da Down Industrial e da S&P 500 também sofrem perdas por duas semanas seguidas.

A Bloomberg, por seu lado, destaca que “na semana passada, o preço das ações nos EUA caíram para seu nível mais baixo em seis semanas devido a um crescente mal-estar dos investidores com uma persistente baixa inflação na economia. Os títulos do Tesouro subiram e o dólar se enfraqueceu ainda mais. Os investidores aguardam o pronunciamento dos principais dirigentes dos maiores bancos centrais do mundo na sua reunião anual em Jackson Hole, nesta semana”.

Como faz todo ano, a Crítica também estará ligada nessas discussões em Jackson Hole, reunindo os presidentes dos principais bancos centrais e os mais preparados economistas dos EUA, como Larry Summers, Ben Bernanke, Allan Greenspan, etc. Note-se que é raro ver algum idiota prêmio Nobel de Economia circulando pelos corredores do encontro.

Discussões estratégicas de quem comanda a grande roda global. Vão discutir seriamente o que pode (ou deve) ser feito pelo governo dos EUA, principalmente, mas também pelos governos da zona do Euro e do Japão, para enfrentarem aquela deflação global mencionada pela Bloomberg, que prenuncia a forma e a profundidade do próximo choque global.

Pode-se esperar sugestões mais incisivas de um imediato aumento do Estado na economia, como sugerido na reunião do ano passado. O programa econômico nacionalista de Donald Trump, que deveria atender a essa sugestão, não conseguiu decolar. Nem uma pequena grande obra de infraestrutura!

De todo modo, os participantes mais ativos do encontro não estarão levando em conta só manifestações mais superficiais do processo, como taxa de juros e volatilidades de ativos financeiros, mas coisas mais próximas dos fundamentos da acumulação do capital.

O tempo urge. Afinal, esta deve ser a última reunião de Jackson Hole antes da explosão de um inusitado choque global.

A gigantesca espaçonave do capital global que decolou há 32 trimestres (cerca de oito anos) não parou de ganhar altitude. É uma das expansões cíclicas mais extensas dos últimos setenta anos. Resta confirmar se seus dias estão contados. O seu encerramento colocará o mundo de ponta cabeça. E poderemos agir na esteira deste grande espetáculo.

texto-meio

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