segunda-feira, outubro 23, 2017
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Superprodução global em marcha forçada: recorde do comércio internacional em 2017

Projeta-se forte expansão do comércio internacional em 2017, na sequência de uma acentuada aceleração das exportações e importações mundiais no primeiro semestre do ano. Quem prevê é a Organização Internacional do Comércio (OMC), em seu mais recente Trade Statistics and Outlookcrescimento do volume de comércio mundial de 3.6% em 2017. Acompanhado de um crescimento do PIB global de 2.8%.

Já seria uma aceleração e tanto. A última estimativa da OMC para 2017 (em 12/Abril 2007) foi de uma comportada expansão de 2.4%, em uma faixa de 1.8% a 3.6%. Bateu no teto da faixa. Se bater novamente no teto da nova faixa 3.2% – 3.9%, ajustada nesta semana, estaria passando de 4% no ano. Em termos anualizados, como veremos mais abaixo, essa taxa já foi ultrapassada. Vejamos primeiramente, no gráfico abaixo como essa expansão global se reparte nas principais áreas geoeconômicas.

Todos os grandes países e regiões do mundo parecem ter entrado sincronizadamente na grande roda de Smith. Comparado com ao mesmo período do ano anterior, as exportações e importações aumentaram no primeiro semestre de 2017 em todas as regiões econômicas do planeta. Menos em uma. Acertou quem pensou na América do Sul. Culpa de quem? Acertou mais uma vez quem pensou no Brasil.

Como se pode observar no gráfico acima, enquanto as exportações das demais regiões do mundo decolam, as da América do Sul se arrastam no mesmo calcificado volume de 2012. Só as importações desta maltratada região se mexem: caíram mais de cinco pontos percentuais frente ao mesmo ano-base.

O Brasil – e, por extensão, as demais nações sul-americanas – não sofre apenas de uma incapacidade produtiva. Apesar da propaganda dos parasitas agroexportadores e do senso comum dos cidadãos acerca das coisas econômicas, a maior economia abaixo da linha do equador sofre também de uma renitente incapacidade exportadora.

E não poderia ser de outra maneira. A capacidade comercial de uma nação é sempre medida pela sua capacidade produtiva. O resto é conversa mole de neomercantilistas que comemoram acumulação de superávits comerciais e não dão nenhuma importância  o que realmente interessa no comércio internacional: a expansão equilibrada da corrente de comércio (exportação +importação).

Voltemos aos números deste ano. Vejamos agora as projeções dos resultados do primeiro semestre em termos anualizados. Enquanto o comércio exterior da América do Sul permaneceu relativamente estagnado, nas demais regiões mundiais a aceleração do crescimento é surpreendentemente elevada.

Na América do Norte (leia-se EUA), sempre em termos anualizados, as exportações e importações aumentaram 4,9% e 3,9%, respectivamente. Na America do Sul, no mesmo período, as exportações diminuíram 0.7% enquanto as importações aumentaram apenas 1.0%.

A proximidade do final de mais um período de superprodução de capital explica a repentina explosão comercial da economia de ponta do sistema. A mesma razão explica o fato que as exportações da Ásia (leia-se China) avançaram em termos anualizados 7.3% na primeira metade do ano, enquanto que as importações deram um salto monumental de 8.9%.

Isso é decorrente do caráter de irmã siamesa da economia chinesa com a estadunidense. Como se passa também, guardadas as devidas proporções, com a economia mexicana.

Soma-se a essa função passiva de economia montadora para grandes empresas globais norte-americanas, japonesas e europeias, a desesperada política anticíclica dos dirigentes de Pequim. Somando e subtraindo, o potencial de uma grande explosão asiática aumenta muitos megatons. Essas determinações básicas refletem-se nos exuberantes dados do comércio exterior chinês projetados para este ano.

Na Europa, a coisa se passa de maneira diferente. A tendência observada não é tão exuberante quanto nos EUA e China: as exportações e as importações europeias aumentaram em termos anualizados 2.6% e 1,2%, respectivamente. As grandes economias da Europa (Alemanha, Inglaterra, França e Itália) não apresentam um aquecimento do comércio exterior semelhante ao que se observa com EUA e China.

Isso se deve, possivelmente, ao fato que a superprodução de capital ainda não alcançou na área europeia (nem no Japão) a mesma magnitude que nos EUA e China. Mais uma indicação que será nestes dois últimos que deve estalar a espoleta do próximo choque global – que se se aproxima e se potencializa mais fortemente com essa efêmera e exuberante retomada do comércio internacional de mercadorias no ano de 2017.

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