terça-feira, agosto 22, 2017
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Surpreendentes mudanças na paisagem dos investimentos globais de capital

Quais são, neste momento, os principais destinos, caminhos e descaminhos dos investimentos externos diretos (IED) globais? Dessas massas de capital-dinheiro internacional circulando pelo mundo para funcionarem na produção industrial interna e no comércio dos países. Para serem aplicados em máquinas, matérias primas, insumos e força de trabalho.

Já estudamos anteriormente que as exportações desses chamados greenfield capital na literatura econômica de movimento de capitais internacionais são diferentes de exportações de dinheiro-capital produtor de juros e rendas – investimentos de curto-prazo na esfera financeira, bancos e outras inutilidades improdutivas. Duas formas modernas de funcionamento do sistema imperialista. A forma de exportação de capital-dinheiro, para ser reproduzido na produção industrial é a mais importante. É a forma imperialista especificamente capitalista.

Vejamos o que a United Nations Conference on Trade and Development (UNCTAD) está dizendo a respeito deste movimento internacional de capitais em seu mais recente relatório World Investment Report 2017, divulgado em 07/Junho/2017(….)

(…) A paisagem dos investimentos globais mudou consideravelmente em 2016. Os capitais caçando novos espaços de valorização direcionam-se naturalmente para países e regiões que apresentam elevadas taxas de lucro e elevado crescimento econômico, enquanto regiões e países em contração ou enfrentando altos níveis de incertezas quanto ao futuro dessas variáveis registraram os maiores declínios.(…)

Alguns números chave: a Índia conseguiu manter a coroa de local mais procurado do mundo para investimento de capital pelo segundo ano consecutivo – à frente de China e Estados Unidos. A nova estrela da economia do imperialismo foi a primeira colocada no ranking por país (US$ 62 bilhões).

E a China, concorrente a ser batida pela Índia, ultrapassou novamente os EUA, em 2016, para se tornar o segundo maior país importador de IED. Mas, note-se uma coisa muito importante: (…)

(…) ou seja, mesmo com suas purulentas contradições, a região Ásia-Pacífico manteve-se a principal região de destino para IED em 2016, com 3921 novos projetos anunciados, recebendo um investimento de capital estimado de US $348 bilhões. Isso representa 45% de todo o investimento capital global em 2016.

(…) O problema asiático, particularmente da China, é que seus capitalistas devem aumentar ainda mais e mais a miséria da população – tão ou mais exitosamente do que na Índia – para que a região continue ganhando todos os troféus deste sinistro campeonato imperialista (…)

(… ) Do mesmo modo que na Ásia e nas demais áreas dominadas do sistema as importações de investimentos imperialistas exigem aumento exponencial da miséria da população, o deslocamento recorde de capitais da Europa para a Ásia e outras áreas do mundo é a base do seu elevado desemprego, miséria social e instabilidades políticas(….)

(…) Nos EUA de Trump e no Japão de Abe San esse problema europeu também se apresenta(..)

(..) Na América Latina também houve grandes modificações de fluxos de investimentos globais. Principalmente na maior economia da região, no país de Temer e de Gilmar Mendes, que assistiu a um incrível colapso dos projetos e investimentos imperialistas em 2016(…)

(…) Os três principais destinos do capital na região foram México (US$ 26.2 bilhões), Brasil (US$ 12,1 bilhões) e Argentina (US$ 12 bilhões). Combinados, esses três países contabilizam 70% dos investimentos internacionais na região.

(…) mas o Brasil experimentou um declínio histórico em todos os itens relacionados à entrada de greenfield capital: queda de 33% no número de projetos, de 28% em investimentos de capital e de 15% no emprego. No mesmo ano a Argentina subiu 279% nos investimentos e 123% nos novos projetos.(…)

(…) O Brasil perde espaço na economia do imperialismo. Velozmente. Essa é mais uma consequência da sua verdadeira crise econômica, quer dizer, da perda relativa de rentabilidade frente aos seus demais concorrentes, incluindo seus vizinhos da América Latina (…)

(…) Como pode ser revertida essa derrocada capitalista? Como o investimento imperialista produtor de lucro poderá retornar no Brasil, nos mesmos elevados níveis que existiam até 2013, aproximadamente?
A resposta é tão simples quanto o enunciado: quando a exploração da classe operária no Brasil (…)

(…) o investimento imperialista produtor de lucro retornará ao Brasil como sempre fez no passado se e quando as classes dominantes nacionais e seus patrões imperialistas conseguirem impor à classe (…)

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